22/08/2011

Quentes almas quentes...


Moléculas de água batiam com um mínimo impacto contra minha face. Meus pés estavam congelando, minhas mãos se encontravam dormentes de tão gélidas, meu corpo tremia por dentro e meu queixo teimava em bater. Relâmpagos rápidos e instantâneos clareavam o céu, clareavam a rua. Trovões roucos, rudes, fortes e graves gritavam pelos cantos, fazendo com que meus ouvidos se assustassem, parecia que o céu iria desabar em cima de mim.
Gotas de chuva caiam rapidamente no chão, fazendo um som liberto, limpo e calmo. Como o som de um rio que corre e bate em suas margens.
Meu corpo encharcado queria sair daquele frio, mas minhas pernas ficaram completamente travadas e enraizadas no chão quando ele apareceu completamente molhado e abrindo um sorriso de canto a canto para mim. Fazendo meu coração aquecer e isso era mais que o suficiente para que eu ficasse.
Ele segurou minha cintura com apenas uma mão que estava tão fria quanto as minhas, entretanto seu toque aquecia-me, fazia meu corpo sentir coisas as quais eu nunca senti na vida.
Sua outra mão vagou pelo rosto retirando as mechas de cabelo molhado e os colocando atrás de minha orelha. Fechei os olhos enquanto sentia seu toque suave.
O rosto dele chegou bem perto do meu. Seu nariz percorreu minha face molhada buscando o meu perfume. Sua respiração quente aquecia-me.
Fiquei nas pontas dos pés para sentir o cheiro do seu pescoço, aquele cheiro dele que eu amava. Que tomava conta de meu corpo, revirava minha mente.
A sua respiração arfava quente e próxima de minha orelha. Enchia-me de desejo. O Simples desejo de não sair daquele instante.
Meus olhos se fecharam e então os seus lábios se uniram aos meus. Lábios quentes, vivos, macios, donos de um sabor único e embriagante. Lábios os quais me fizeram tremer mais ainda, que me deixaram embriagada.
Ele me pressionava contra o corpo dele, pedido por uma união cada vez mais colada e mais forte. A chuva ganhava intensidade aos poucos o som calmo das gostas ficaram tão forte que parecia que milhares de pedrinhas caiam e se arrastavam com força no chão.
Os trovões ainda gritavam, mas não me assustava, meu corpo estava envolto ao do meu amor e seus braços me protegiam. Sua boca quente me aquecia.
Eu passaria à noite toda presa aquele beijo intensamente prazeroso. Ao beijo cheio de acordos secretos e juras guardadas em nossos corações que acelerados juravam e juravam unicamente juravam.
E o frio? Já não incomodava, porque não existe algo mais quente que a união da alma de duas pessoas que se amam...


MilaneMatias

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